sexta-feira, 25 de maio de 2012

Café - Part VI


Escrevemos grandes cartas ao tempo, aquele que diz aliviar  a pressão e cicatrizar as feridas.
Mas não fora assim com ela, forte, sorridente, as vezes o ser mais arrogante do universo, mas forte. Era assim que a imagem da Dama de Ferro lhe parecia para os colegas, amigos, família.
Só ela sabia quantas lágrimas guardou nas palmas de suas mãos, quantos olhares altivos para não lavar o rosto.

Olhou. Abaixou por um momento a fronte, puxou as amigas e disse um simples:
"Dá licença que hoje ninguém acaba com o meu dia!"
Foi o que docemente falou e repetiu silenciosamente em sua mente.
Viram o filme, desviou sua atenção, mas vira e mexe nos míseros segundos que as pálpebras se tocavam uma linha do tempo inspirado em todo o cenário nublado, da casa no monte do filme de época lhe traziam sonhos e até mesmo boas memórias.

Saudade. Saudade de tudo... Tudo o que não aconteceu, do que nunca aconteceria.
Guardou as memórias em uma carta, e mandou para o fundo da mente, quem sabe um dia, ela fizesse a graça de abrir novamente a caixa de pandora de sua mente, pelo menos protegida por uma fina camada de papel amarelado lhe impediria de sofrer mais uma vez, sofrer, na verdade, ela sempre sofreria, seja por um par romântico de seu dedo do pé com a quina dos móveis, um dia tedioso, ou as histórias de sua mente... Mas não, não com aquilo.
Saiu do Cinema, voltou para casa, fechou nos estudos, onde tentaria permanecer longe de tudo, inclusive de estuprar a sua carteira com café.
Talvez, a força dela vinha mesmo do tempo, ou das lágrimas, não sorria falso, nem queria chorar quando sorria, mas, de vez em quando, ela queria que em alguma pergunta do 'Tudo bem?' ela pudesse dizer realmente a a sua resposta.

Continua...

Café - Part I
Café - Part  II
Café - Part III
Cafe - Part IV
Café - Part V

domingo, 29 de abril de 2012

Café - Part V


Foi passando o sábado, logo se despediram, durante todo o almoço na casa de seu tia, o belo sorriso e o saber de que além de na semana, no sábado também veria o rapaz do belo sorriso.
Não estava apaixonada por ele, ela cria, e sim pelo seu sorriso. E isso ela se corrigia a todo momento, seu coração não aguentava mais apaixonar por tantos sorrisos, as vezes pensava mais em ver o outro sorrir do que sorrir, e esquecia, que para alguns, aquela curva de canto fazia alguns melhorarem seu dia.
Chegou em casa, foi para o seu quarto, o tempo havia fechado um pouco, bem típico da estação. Observou calmamente o céu azul, e tomou um pequeno suéter, e se pôs a sentar no banco frio da pequena varanda. Estava com muito sono, mas relutava deitar. Mas a guerra foi vencida, e Marie foi ao seu quarto, a cama estava impecável, o quarto tinha um pequeno vaso com rosas cor-de-rosa, eram simples, mas davam um cheiro muito bom, e leve ao quarto, fechou a cortina, e dormiu. Dormiu por longas 2 horas. Mais tarde levantou, tomou um bom banho, observando a água cair fortemente na extensão de seu corpo, seus pensamentos flutuavam como um belo pássaro voando no horizonte, saiu apressadamente do banho, e na melodia de seus pensamentos, ligou-os com Richard Clayderman; You'll Never Walk Alone. No momento aproveitou do sentimento leve e voltou a uma boa época, passou um óleo da Mamãe & Bebê, sentiu-se ridícula por um momento, mas depois se apaixonou mais uma vez no dia pelo seu braço, cheirando bem forte a bebê.
Pegou um pedaço de pão caseiro que aprendo com a vó, bem típico de engordar, passou uma bela geleia de morango, e ficou perambulando pela casa, acessou a internet, até perto do momento do pôr-do-sol, o fez, sozinha, com alguns hinos executados no Piano, e a leitura de um versículo.
Amargamente gastou seus créditos enviando algumas mensagens para as amigas e marcaram um cinema logo a noite. O tempo estava mais frio, optou por uma roupa menos chamativa, calça jeans, blusa com a estampa da bandeira da Inglaterra, um coturno, e uma jaqueta cumprida e uma bolsa bem grande, colocou tanto doces ali dentro que parecia um farofeira de Cinema, esperou a carona, e foi. Pararam antes da sessão, andaram um pouco, Marie estava quieta, suas amigas estranharam um pouco, perguntaram, e bem, não desistiram, mas se ela realmente não estava com nenhum problema, sabiam que ali era a hora certa de pedir conselhos, estava filosofa. E para quem podia entrar na mente e observar, estava mais do que certa a conclusão das amigas de Marie, pensava que quantas pessoas, jovens, adultos, andavam de um lado a outro, sem razão, faziam e desfaziam amizades, faziam e desfaziam amores... Entrou em uma loja de alimentos, olhou de relance um copo chamativo de chocolate quente, pediu um pequeno, logo entraria no Cinema, e provavelmente seus pensamentos seriam direcionados pelas suposições que faria ao filme. Foi em direção e enquanto esperava o copo de chocolate quente, veio uma de suas colegas cochichar em seu ouvido...
Os olhos se abriram com lentidão, como se uma bela borboleta abrisse suas assas para bater voo, as maças coraram com extrema força, a boca se fechou, a mão esfriou.

Continua...

Café - Part I
Café - Part  II
Café - Part III
Cafe - Part IV

sexta-feira, 9 de março de 2012

Café - Part IV


A sexta-feira chegara e nenhum vestígio da moça na lanchonete, provavelmente seriam as provas ou alguma viagem, já que nem que se fosse para comprar uma mera balinha, ela ia lá.
Pouco antes do por-do-sol dar o seu show diário, para Joshua, na sexta, aquilo era de extrema importância, despediu-se de seus colegas de trabalho mais cedo, e desejou a eles um 'Feliz Sábado'.

Ouviam se belas músicas naquele quarterão, até mesmo para aqueles que se diziam ser contra a essas 'formações' religiosas, deixavam se levar pelo som dos instrumentos musicais em suas melodias europeias.
Era uma igreja, em pleno movimento em um sábado de manhã, cedo já se viam famílias surgirem lá, todos muito bem arrumados, e com sorrisos no rosto, não dava para saber se eram verdadeiros ou falsos, mas talvez, naquele momento, era impossível deixar-se levar pela falsidade. 
Joshua estava sentando logo em um dos primeiros bancos, provavelmente iria ter algum grupo musical ou batismo para igreja estar tão cheia, sem tão cedo, e foi, era o segundo banco. Era uma igreja confortável, de bairro, mas com um toque de igreja antiga, seus bancos, suas janelas, amava aquele ar. 

Há um país nas terras de além rio,
Cheio de flores, de prazer e luz;
É destinado às almas resgatadas;
Lá não terão mais lutas nem mais cruz.
Pois é ali que a morte não mais entra,
Nem mais pecado o brilho tirará.
Jesus, o Rei dessas mansões tão lindas,
Os salvos todos com prazer abraçará.

Lindo país! Eu vejo a brisa mansa
Acariciar campinas e jardins,
E embalar as palmas prateadas
Dos perfumados vales com jasmins.
E quando o Sol se põe no horizonte,
Eu julgo ver em sonhos este lar;
Vejo os amigos já ressuscitados,
E todos nós o nosso bom Jesus louvar.

Sua atenção foi chamada, que bela música, lembrou-se de sua mãe então. Abaixou a cabeça e sorriu. Ela havia ido a algum tempo, pouco antes do judeu se tornar ateu, e se apaixonar pela ciência, tornou-se adventista, que coisa estranha, deveria me dar o direito de dizer. É tão comum notarmos pessoas cristãs se tornarem céticos, e vemos o contrário, não alimentando intriga, alimentando paixão, paixão pelo conhecimento.
Era assim que ele definia.
Joshua desviu um pouco o olhar do Data Show que passava a letra e belas paisagens, deixou-se por um momento admirar os instrumentos musicais, deleitou-se no violino, procurou o violoncelo, e o piano...
O piano, lá estava ela, não era possível, Marie, tocava presa na partitura, com vestes brancas, como se fosse uma boneca de jardim, sorria e cantava, por um momento pensou te-la visto chorar, mas a voz abafada pelo som dos instrumentos deixou-se a dúvida.
Mas que se fossem ao léu qualquer dúvida, sonho ou estranheza, Marie estava ali, adorando o mesmo D-s, e na mesma denominação. Tudo está longe de ensinar religião, mas não está longe de ensinar o aconchego que Joshua sentiu ao poder olha-la por mais um dia durante sua vida.
Ao inicio, colocou-se de pé.

Tenho ouvido de uma terra linda, encantada,
De um lugar onde a felicidade é total.
Os meus olhos já divisam não tão distante,
Meus ouvidos já escutam sons divinais.

Tão cansado estou da vida aqui deste lado,
Que meus braços quase já não podem remar.
Calejados e feridos por tantos dias,
Querem bálsamo daquele porto encontrar.

Coro:
Além do rio existe um lugar pra mim.
Além do rio existe paz.
Além do rio a vida não terá mais fim;
E com Jesus irei morar.

Tenho já sonhado com aquelas moradas,
Que olho algum aqui não viu e nunca verá;
Têm beleza incapaz de ser comparada,
Pois a glória do Senhor presente está.

Muito mais bonito que o Sol no poente,
Ou a gota d'água em prisma, como cristal;
É o encontro de irmãos de fé, redimidos;
Compensou viver, lutar, vencer afinal. 

Marie levantou, tomou seu hinário e saiu apressadamente, saio pela porta do lado, mas antes ficou por alguns momentos procurou lugar vago, achou um bem na frente, foi-se, tinha de ser rápida.
Sentou-se um pouco longe, pegou sua lição e Bíblia e cumprimentou seus 'irmãos' e ao olhar seu lado.
"Ah, oi!"
"Olá!" - Nunca havia visto sorriso tão bonito como aquele. Marie apenas observou.
"... Seja bem vindo!"
"Eu sou daqui, é que sempre sento lá no fundo"
Uma vermelhidão tomou o rosto de Marie, mostrou um sorriso amarelo, e murmurou algumas desculpas, logo o professor da classe apareceu.


Vídeos dos Hinos.




sexta-feira, 2 de março de 2012

Café - Part III


Chegou em casa extremamente cansada, tinha um relatório do livro sobre Matéria de Biologia Celular e Molecular, já havia feito todo o conteúdo, faltava a capa e todas as frescuras, como apelidava carinhosamente as outras divisões de um trabalho cientifico.
Falando em casa, a casa de Marie era bem simples, tinha um quarto grande, um banheiro, cozinha, sala e varanda para os serviços domésticos, além de uma pequena garagem que possuía muitas flores, um amor que herdou de sua avó. Toda a casa tinha um ar antigo, era um rosa vintage com marrom, além dos diversos papéis de parede florais. E apesar de tudo isso, alguns aparelhos não deixam a modernidade de lado, contrastando a Tv fina e grande com uma vitrola que abrigava um Vinil de Bach.
Mas ao entrar na casa deixou o guarda-chuva aberto da pequena varanda que era coberta, entrou em casa, e foi para o quarto, cumpriu o ritual de colocar cada peça de roupa no seu exato lugar, colocou uma de suas roupas de dormir e foi a sala que apenas se dividia com a cozinha por uma banca, colocou um DVD de vídeos gravados do canal do Youtube chamado ThePianoGuys, deixou o tocando em um som alto, não tinha fome, a preocupação por sua agenda havia tirado um pouco da vontade por comida. Fez um chá, pegou uma de seus melhores conjuntos, desligou a Tv, de modo que apenas o som do DVD flutuasse por toda extensão da casa, e do corpo de Marie. Apagou as luzes, a chuva caia, era tarde, provavelmente um calor inundaria depois da chuva torrencial que presenciava naquele momento.
E em um momento de calma e pensamentos ao ar, algo a assustou, sua mente levou ao sorriso de canto, tímido do rapaz e a intensa curiosidade sobre ele, naquele momento, em vez de suspirar e tramar um novo romance em sua mente, se corrigiu, se odiou, não, paixão era ridículo, era perca de tempo, mas entre suas histórias fantasiosas, se imaginou em um grande baile da nobreza, seu vestido dourado com rosa, arrastava em um modo a Marie Antoniette em um baile de mascaras à Itália... Olhava, bebericava, e fletarva, seu ar imponente, brincava em uma doce dança de bonecos, a mente levou ao quebra-nozes, onde estaria? Em um ar dramático e sonhador, a ideia de realidade que Marie criou, a desmanchou, não era normal, não, realmente não era, não para a sua sociedade, nem para qualquer uma.
Chorou.
Não pelo rapaz, não pela morte do romance, não pela chuva. Chorou por si, por vontade, por medo.
Era forte, muito forte acima de tudo, tinha um rosto, até um jeito doce, porém era forte, falava, dizia que não tinha medo, mas no fundo era extremamente carente e solitária, extremamente dependente e sempre via o lado bom das pessoas - A não ser que não fosse com a cara.
Era nesse meio termo de doce e arrogante que Marie brincava na corda bamba.
As lágrimas que antes molhavam a face e lavavam a alma de Marie sessaram, enfim, as pálpebras pesaram, o cheiro do chá estava muito forte, o barulho da chuva e da Tv muito altos, acendeu a luz, passou a mão nos olhos, desligou o som, lavou e guardou delicadamente o conjunto de chá, e foi dormir, amanhã, felizmente era sexta-feira, mas mesmo com o anuncio do fim de semana o desespero de provas a dominava.

Continua.

Part - I
Part - II

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Café - Part II


Em pouco tempo, o sol que antes brilhava, tomou-se por um por-do-sol nubaldo, logo várias nuvens se formavam. Estava preocupado e receoso, precisava entregar a agenda, e ainda por cima precisava chegar em casa, e apesar do clima fresco, sempre trazia consigo um guarda-chuva, menos naquele dia.
Estavam quase fechando, 18 hrs, realmente uma lanchonete de bairro, simples, e familiar, já havia escurecido, e a chuva caia forte, era complexo esse clima de frio com sol, sol forte e logo depois chuva, era confuso, mas se acostumara. Quando pouco antes de sair, uma moça entrou, um pouco abaixo do joelho, possuía muito barro e alguns rasgos, pelo menos a calça não era nova, fechou o guarda-chuva, respingando algumas gotículas pelo salão.
"Eu esqueci minha agenda aqui, por acaso alguém a viu?" - Era um olhar misturado com um sorriso amarelo de preocupação
Sim, Marie havia voltado.
"Eu ia lhe entregar, moramos perto, por isso não liguei, eu já estava in..." - Mal pode completar a sua frase, quando um suspiro e um sorriso que parecia crescer mais a cada segundo.
"Oh, obrigada, obrigada mesmo" Disse Marie pegando a agenda... - "Já está de saída? Disse que mora perto? Quer uma carona?"
Um rubor meio fraco tomou aos poucos o rosto do rapaz, olhou para os lados, meio perdido e surpreso.
"Ah sim, ele já pode sair, ande aproveite a carona" Falou calmamente alto uma senhora, dona do local, gente boa, como se diz no interior.
Envergonhado, tomou o lado junto a moça, abriu a porta e o guarda-chuva tomou forma.
"Venha, o carro está perto, mas não é bom se molhar" - Foram devagar até o carro, Marie o abriu entrou, e deu o guarda-chuva ao rapaz, ele fez a volta, fechou o guarda-chuva, e entrou rapidamente.
Era um fusca vermelho, apesar de ser datado antigo, era muito bem conservado, e totalmente novo, bancos de couro, volante mais simples, tinha som, e realmente era feminino e gracioso, se duvidasse tinha até ar condicionado em meio a alguns botões por ali.
Foi meio quieto, olhando a chuva cair pelo vidro do carro.
"Ah, o animal aqui nem perguntou o nome, que coisa hein! Colocando gente no carro que nem sabe o nome!"
"Meu nome.. É... É... Joshua"
"Olha, nomes internacionais, sintam o poder do menino" - Falou Marie em meio a sorrisos sinceros.
Virou algumas ruas, e finalmente parou em frente ao condomínio do rapaz. Surpresa, era palavra que definia os olhos arregalados de Marie, era um dos condomínios mais caros de toda a cidade.
"É aqui mesmo?"
"Sim" - Disse meio sem jeito Joshua, já esperava por algumas perguntas. Mas em resposta a sua opinião adiantada, recebeu um suspiro.
"Bem, não vou poder te emprestar o meu guarda-chuva, não sei se não vou usar amanhã cedo, desculpe" - Foi um sorriso obscuro, dava para notar que tinha curiosidade, ou talvez não, ela era misteriosa, só sabia algumas coisas depois de bons meses somente a observando.
"Obrigada, até outro dia!" Sam saiu apresadamente em direção ao portão, que logo foi aberto e lhe emprestado um guarda-chuva.
Parou por alguns estantes, ficara atordoada, mas ainda assim racional, era confortável estar ao lado do rapaz desconhecido, que não era tão desconhecido. Mas sabia que tinha outras metas, e paixões, ora, as duas que ela teve foram decepcionantes, o bom é que não se deixava trair os princípios...

Continua...

[Part - I]
[Part - III]

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Café - Part I


A moça estava já a 1 hora, exatamente, bebericando uma única xícara de café, olhava tediosamente para os carros passando lá fora, não estava frio, mas o sol ainda assim pedia um casaco da vovó de trico, meio leve.
Clientes saiam e chegavam a cada minuto, não estava muito cheio, era o suficiente para deixar-se atarefar o seu dia, mas mesmo assim, o olhar da moça, mesmo parecendo forte, quando um certo rapaz chegou, olhando sorrateiramente e de maneira fria, ela simplesmente lançou um de seus olhares 'Não me importaria se morresse', extremamente mentiroso, se me permite a opinião. O café, com certeza já estava frio, mas o copo continuava cheio, a turma que havia chegado com o rapaz causava barulho e risos, e mesmo para quem não tinha nada a ver, e apenas observava, cortava, machucava, queimava, mas o nariz empinado, e os pedidos entregados permaneciam, a face já demonstrava incomodo na jovem menina, logo ela chamou, por uma, duas, e finalmente foi até o caixa, onde o garçom que antes chamara permanecia parado e observando de longe o chão que antes brilhosos e encerado, já mostrava indícios de poeira.
"Quanto é?" -Logo alguns atrapalhos e uma quase queda da cadeira, o rapaz voltou a postura normal, ouvia risos espalhafatosos de uma mesa, e logo um rubor tomou-lhe a face.
"R$2,50" - Respondeu ele sem olhar a moça
"Nossa, caro hein, não poderia me dar um desconto?" - Sorriu, brincando.
Foi algo inédito, ela não havia sorrido nos últimos três dias que havia estado aqui. E era algo mágico, era um sorriso sem dor, sem medo, sem frustração.
Logo ao notar a forte observação, pagou, meio descontente, mas com um singelo sorriso, e saiu.
Era estranho, mas ele sabia tudo dela. Era universitária, Medicina, na federal, não era muito disputada, mas era incrível, já que vinha de uma escola estadual e bem simples, vinha de cidade pequena, mas tinha a mente bem aberta, gostava de roupas diferentes, e amava ler. Ela possuía opinião forte, e não se importava em lutar e mostrar-se, mas odiava ser odiada. É, ela se importava sim com a opinião dos outros, mesmo que parecesse forte, sabia que no fundo incomodava.
Respirou fundo, pegou um pano, e foi limpar a mesa que outrora a moça estava. Notou uma agenda, bem infantil por sinal, abriu, viu o nome: Marie, nome um pouco incomum em uma época de nomes diferentes e 'globalizados', guardou no bolso do avental, e voltou, levou a xícara para a cozinha, colocou o pano de lado, e abriu um pouco a agenda, leu alguns compromissos, que por sinal fugiam das linhas pelo pouco espaço, e guardou na mochila, havia um endereço, procuraria ao sair.

Continua.

[Part II]
[Part III]